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descentralizando o celular — parte ii: rádio de pilha

Nesta série de posts, estou revelando o método que mais me ajudou a reduzir o uso do smartphone: substituí-lo por outros dispositivos dedicados.

O rádio leva essa ideia de descentralizar o smartphone ainda mais longe, porque substitui a certeza do streaming pela incerteza daquilo que está tocando ao vivo naquele momento.

No streaming, a gente escolhe tudo. O algoritmo aprende do que gostamos e continua nos entregando mais do mesmo. Mesmo com um iPod, que comentei no post anterior, ainda existe controle — porque fomos nós que colocamos as músicas ali.

O rádio é diferente.

Existe apenas o que está tocando naquele instante.

Você não pode voltar, não pode navegar por uma lista do que já tocou e, mais importante, seu gosto pessoal não decide o que vem em seguida. Isso faz a música parecer um acontecimento — algo que simplesmente acontece — em vez de algo permanentemente disponível, esperando por um clique.

Quando tiro a música do smartphone, também removo as notificações, as redes sociais e todas as distrações que vêm junto com ele.

O rádio é mais simples, e tecnicamente inferior em muitos sentidos, mas faz exatamente o que promete. E essa simplicidade reduz a ansiedade que vem de ter escolhas demais o tempo todo. O que inicialmente parece uma perda de controle acaba se tornando um ganho de atenção.

A experiência também se torna mais coletiva, porque outras pessoas estão ouvindo a mesma coisa ao mesmo tempo — sem métricas, sem recomendações personalizadas.

Pessoalmente, eu adoro o jeito como a estática do rádio se espalha pelo ambiente, carregando a sensação de uma tecnologia mais antiga — uma tecnologia que existe independentemente da internet.

P.S. Todos os dias, às 18h, toca Ave Maria, de Johann Sebastian Bach, na 104 FM Natal. Espetacular. Uma das melhores músicas para ouvir no fim da tarde.

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