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baixa magia

Muitos anos atrás, li algumas obras de Luís da Câmara Cascudo que me impactaram profundamente — talvez não pelo conteúdo acadêmico em si, mas pela reflexão paralela que naturalmente surge ao ler grandes autores: como deve ter sido interessante o modo de vida desse autor.

Na visão do folclorista, tudo carregava um significado ancestral, transmitido de geração em geração. Um espelho: um portal. Um aperto de mão: um código complexo e antigo. Era como se tudo se tornasse mandinga — magia popular, encanto, feitiço.

Se o escritor e ocultista Alan Moore vê magia no poder transformador da escrita, Câmara Cascudo foi ainda mais longe: qualquer nó, qualquer figa, qualquer mau-olhado, qualquer vogal poderia ser visto como produto da forma mais alta de magia popular.

Recomendo a leitura de Luís da Câmara Cascudo a qualquer pessoa que queira se reencantar com o mundo.

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