selfware: a coisa mais nova e divertida em tecnologia
Estou escrevendo este post a partir da minha local-brain-ui: uma peça de selfware — ou, se preferir, um software pessoal construído por vibe coding — inspirado por ideias como wikis com LLMs e sistemas de segundo cérebro.
A ideia central é simples: um segundo cérebro não precisa ser apenas um amontoado de notas largadas em pastas. Ele pode se tornar algo mais ativo — quase como um sistema operacional conectado à forma como a sua própria mente funciona.
Na minha configuração, o sistema segue um pequeno contrato interno. A pasta raw/ guarda material bruto, capturas e entradas operacionais privadas. brain/ armazena conhecimento processado em Markdown. synthetics/ é onde vivem automações, artefatos gerados e fluxos assistidos por IA. Essa estrutura está documentada no README.md, mas, honestamente, os nomes das pastas são a parte menos importante. O que importa é a direção: conhecimento não fica apenas armazenado. Ele se torna algo que pode realmente ser usado.
A interface faz parte dessa filosofia. Minha Brain Input UI funciona no navegador e atua como um ponto de entrada para capturas brutas e operações no cofre de conhecimento. A partir dali, posso escrever diários, registrar hábitos, ler arquivos locais, acionar habilidades internas a partir de uma lista controlada, editar arquivos de texto, enviar materiais e conectar outras ferramentas, como ambientes de escrita, visualizadores de mídia ou rotas de modelos locais.
Em outras palavras, não é apenas mais um aplicativo de notas. É um espaço de trabalho pessoal desenhado em torno de como eu realmente penso e trabalho.
É isso que quero dizer com selfware.
Selfware é software moldado em torno de uma pessoa real. Não no sentido superficial de trocar a cor do tema ou colocar seu nome no cabeçalho, mas em um sentido mais profundo: software que respeita seus loops reais. Como você escreve. Como você lembra. Como revisita ideias inacabadas. Como se distrai — e como encontra o caminho de volta. Como uma entrada de diário se conecta a um projeto, a um livro, a um vídeo ou a um rascunho pela metade.
A maioria dos sistemas de segundo cérebro promete memória. Mas memória, por si só, é passiva.
O que estou buscando está mais próximo de um sistema operacional para pensamento — um lugar onde notas, diários, mídia, ferramentas de escrita, pesquisa e assistência de LLMs não existam como ilhas isoladas. Eles podem interagir através de arquivos locais, regras explícitas e fluxos de trabalho que eu posso inspecionar e controlar.
Um exemplo: imagine construir sua própria versão da Netflix, mas com suas próprias regras.
Não um mecanismo de recomendação desenhado para maximizar tempo de tela, mas uma camada de mídia pessoal construída em torno das suas resenhas, das suas notas de leitura, do seu diário, dos seus projetos ou dos livros que você estava estudando na semana passada.
O objetivo não é apenas “me recomende alguma coisa”.
O objetivo é: me recomende algo com base no meu contexto real, na minha atenção passada e na direção para a qual estou realmente me movendo.
A mesma lógica vale para escrita.
Um post de blog não precisa começar de uma página em branco — nem de um modelo fingindo saber quem você é. Ele pode começar de um contexto local e controlado: notas anteriores, páginas de projeto, fragmentos relevantes de diário e o ambiente exato em que a escrita está acontecendo.
Nesse modelo, a IA não substitui o escritor. Ela ajuda o ambiente de escrita a se tornar consciente do sistema ao seu redor.
Isso muda a experiência de usar IA.
Em vez de abrir um chatbot e explicar sua vida do zero toda vez, seu sistema local já sabe onde procurar — dentro dos limites que você definiu. Ele pode buscar no seu cofre, ler seus arquivos, citar caminhos locais e permanecer local-first. Ele não precisa fingir que toda resposta surgiu do nada.
Também existe uma razão prática para construir dessa forma.
Sistemas de conhecimento pessoal se tornam frágeis quando tudo depende de memória, disciplina ou de uma única plataforma em nuvem.
Arquivos locais são entediantes. Markdown é entediante. Pastas são entediantes.
Mas fundações entediantes tornam possível construir sistemas estranhos, profundos e radicalmente pessoais sobre elas.
Então local-brain-ui não é apenas um aplicativo.
É um experimento em tornar um segundo cérebro operacional.
Diários, vídeos, escrita, notas brutas, conhecimento processado, automação e LLMs se tornam partes da mesma máquina pessoal.
As possibilidades são grandes — mas esse não é o objetivo.
O objetivo é mais simples:
Fazer o computador parecer um pouco mais próximo da forma como a mente já funciona.